domingo, 20 de outubro de 2013

6 meses e alguns dias

Então vamos lá tirar o pó do blog, afinal fim de semana é sempre tempo de ménage.
Muito rolou desde a última vez que escrevi. Já faz mais de seis meses que cheguei e posso dizer que no geral estou satisfeita com a vida por aqui. É lógico que sempre existem os dias ruins, mas no geral eles não chegam a 10% do meu tempo. O que mais pega é a falta das pessoas queridas que não estão aqui comigo. Tem dias que eu passo muito tempo me imaginando no Brasil, com eles, jogando conversa fora e dando risada, como costumava ser... e posso dizer que é muito difícil você acompanhar a vida dessas pessoas à distância. Dá um aperto no peito, mas passa. Outro dia quase chorei no ônibus pensando que eu tava aqui, num país tão bom, tão mais justo, mais decente, mais seguro, e minha família lá no Brasil, passando medo, insegurança, pagando caro por tudo e recebendo tão pouco em troca. Mas não tem jeito: não é todo mundo que quer sair do seu país, mesmo com todos problemas que ele tenha. Não é todo mundo que tem a vontade, a coragem, a disposição e o desprendimento necessários para largar tudo e recomeçar do zero, com mil incertezas na cabeça e muito esperança no coração. E há de se respeitar. Eu sou a exceção e tenho que lidar com isso. Para se ganhar algo é preciso perder algo. Acho que esse sentimento de solidão e tristeza que bate às vezes está muito relacionado com o fato de eu estar aqui sozinha (dããã!!!). Fiz muitos amigos e eles são demais, pessoas maravilhosas, mas é diferente de quando você volta pra casa à noite e encontra a tua família alí. Porém esse foi um dos motivos que me fez vir pra cá: começar a minha família num lugar melhor, com mais oportunidades pros meus filhos (se eu os tiver), mais liberdade, mais segurança, enfim, todo aquele bla bla bla que todo imigrante conhece.

Bom, deixando de lado um pouco o sentimentalismo, vamos ao lado prático: estou trabalhando.
Não posso dizer que foi difícil consegui-lo. Comecei a procurar emprego em meados de julho, depois do fim da francisação, mandei vários CVs, me cadastrei em alguns sites, segui algumas das orientações da conseillère d'emploi, e duas semanas depois fiz minha primeira entrevista numa agencia de recrutamento. A RH disse no final que tinha uma vaga pro meu perfil e ia me indicar. Tive que fazer umas seis provas diferentes de inglês, francês, informática e afins, e uma semana depois fiz outra entrevista pra mesma vaga, já na empresa, com o diretor da área. Eu saí de lá pensando que tinha ido bem, o que era bom, mas que a vaga não era legal, o que era ruim, pois se seu passasse eu não ia ter coragem de dizer não e continuar desempregada e acabaria trabalhando com algo muito chato que não me estimula nem um pouco. E foi o que aconteceu. E pra piorar tudo eu moro em HOMA e trabalho em Ville St-Laurent, uma hora e meia pra ir e uma e meia pra voltar, todo santo dia. Ultimamente saio de casa ainda tá escuro e quando chego, já tá escuro de novo (pelo menos a janela do meu bureau é bem grande e consigo ver o sol a tarde toda). Pra quem tava acostumada à uma caminhada de 25 minutos pra ir ao trabalho, não é facil. Meu pior pesadelo se concretizou: perder três horas da minha vida todo dia no trânsito. Mas tenho que dizer que estou acostumando. Tenho lido muito durante o trajeto e quando o livro é bom, ajuda muito. Quando bate a tristeza, o desespero, o "o que que eu to fazendo aqui?", penso que isso é passageiro. Penso que ainda no Brasil eu imaginava que meu primeiro emprego ia ser tão ruim que mal daria pra pagar o aluguel mais o supermercado. E no fim das contas foi mais fácil do que esperava. O que não significa que esteja sendo fácil. Pois não está.
Estou feliz no trabalho? Não. Mas apesar de tudo agradeço todos os dias pelo fato de ter um trabalho que paga as minhas contas e que vai me ajudar no futuro a conseguir um emprego melhor.
Ainda procuro o pote de ouro no fim do arco-íris. Uma profissão nova que me faça feliz. Mas tá nada fácil achar. Like always I will have to compromise on something... we will see.

To achando que o post tá meio depressivo, então vamos falar de coisas mais alegres:
Adoro Montréal. Adoro andar pelas ruas da cidade, ver a vida passar, ver a paisagem.
E falando em paisagem: o outono! Lindo, maravilhoso. Sempre foi minha estação favorita, mesmo no Brasil, e aqui então, nem se fala. Fico babando nas árvores coloridas, tão lindo que só estando aqui para sentir como uma coisa tão "banal" como a mudança da estação pode ser tão maravilhosa. A natureza é mesmo incrível.
Adoro as mil opções de bares e restaurantes que a cidade oferece. Cada fim de semana tenho indo num bar diferente. O objetivo é nunca repetir o bar, até conhecer um número significativo deles (acho que vai levar pelo menos um ano). Adoro as várias opções de cerveja que encontro por aqui e já até não ligo mais para o fato de ter que beber cerveja sem pastel, calabresa, mandioca frita, picanha fatiada com catupiry e afins. Acho que é porque quando se bebe Itaipava você precisa de algo que ajude a cerveja a descer. Mas quando você pode escolher uma boa cerveja, você não precisa de acompanhamentos.
Obs: na minha cidade no Brasil, 90% dos bares só serviam uma marca de cerveja. Era aquela porcaria e pronto. Saudades zero!
Adoro as mil opções de entretenimento por aqui. Sempre tem algo pra fazer. Às vezes tem tanta opção que fica difícil conciliar tudo. Cinemas, galerias, exposições, shows... Mês passado fui num show não divulgado para somente 200 pessoas do Arcade Fire (graça aos amigos que ficaram na fila por mim) - lançamento do álbum novo "Reflektors". Duas semanas depois, ia no show do Stereophonics (que amo demais), mas chegando lá tinha um aviso que o show tinha sido cancelado na última hora!. Duas semanas atrás foi a vez de Kings of Leon, de graça, na Place des Arts. Essa semana tem Franz Ferdinand (ainda to pensando se vou ou não), e ontem perdi o show da Lou Doillon (fiquei sabendo na ultima hora, não tinha mais ingresso :( !!!). Fora todos os outros concertos de artistas não tão conhecidos que rolam todos os dias em algum canto da cidade.
Adoro a localização da cidade, entre Toronto, Ottawa, Québec e os EUA. Estou louca pra por o pé na estrada e passar um fim de semana em cada canto, em cada ptt coin de la province. Há umas três semanas fui pra Mont-Orford, à convite dos amigos do Voilà Pourquoi, ver as lindas cores do outono, fazendo hiking - pela primeira vez desde que cheguei. Foi maravilhoso e voltei decidida a explorar mais os parques e as cidades do Québec. Fim de semana passado foi feriado de Ação de Graças e fui pra New York... tão fácil! Foi ótimo passear um pouco e aproveitar os precinhos mais em conta dos EUA pra comprar meu casaco de inverno e outras coisinhas mais.

Parc National du Mont-Orford


Adoro as bibliotecas de Montréal. Não tem nem muito o que comentar. Amo demais.
Estou começando a adorar bacon, manteiga de amendoim, maple, poutine e outras gordices canadenses. Fora que ultimamente só como chocolate se tiver caramelo junto. E por incrível que pareça ainda não senti falta de churrasco, bolinha de queijo, pastel, mandioca, brigadeiro, bolo de chocolate da doceria da família, do peixinho grelhado do meu almoço de quase todo dia entre outros. Às vezes bate aquela vontadinha mas nada desesperador. E depois, já fui em várias festinhas de brasileiros com guloseimas brazucas que mataram as lombrigas.
Adoro a educação das pessoas por aqui. Lógico que sempre tem os mal educados, em todo lugar né, mas no geral o povo é bem mais educado e simpático que no Brasil. Sim, simpático. No trabalho eu fico sempre besta de ver como o povo em geral é simpático, sempre se desculpando por incomodar (coisa de canadense, e eu sou exatamente assim), sempre elogiando pequenos gestos, pequenas ações... muito diferente do que eu estava acostumada. E quando preciso falar com algum service à la clientèle então? Nossa, no Brasil eu dava tudo pra não ter que ligar pra um telemarketing e aqui o povo que te atende é sempre tão mais eficiente, mais simpático, mais solícito. Não vou dizer que isso seja a regra, mas comigo 80% das vezes foi assim.
Bom, e como eu adoro passar o meu fim de semana fora de casa, vou terminando o post por aqui porque a vida não me espera e tem coisas mais interessantes do lado de fora da maison pra fazer.

Ah, e uma mensagem pros colegas que estão esperando seus processos terminarem, angustiados aí no Brasil: força, coragem. Logo termina. E a recompensa será enorme! A espera vale a pena.

Bisous!



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Custo de vida

Bonjour Hi!

Bom, como prometido eu vou falar um pouco sobre o preço das coisas por aqui.
Todo mundo sabe que custo de vida depende muito de cada pessoa, cada um tem um padrão de consumo diferente e no final os valores podem variar enormemente.
O que eu pretendo escrever é sobre os custos básicos, coisas que provavelmente ninguém vai querer ou poder ficar sem. E lógico, dentre cada um desses itens há milhares de variações de preço.



1. Habitação
É pra onde vai a maior parte da grana. Morar custa caro (apesar de Montréal ser uma "cidade baratinha" nesse aspecto). Se você é sozinho, como eu, aí ferrou! Não tem com quem dividir as despesas, mas também não tem briga pelo controle remoto! A opção pra baratear é alugar um quarto ou dividir apê e aí chovem anúncios no craigslist e kijiji. Os preços podem ir de uns 300 dólares até 750, mas a média fica em 500 dólares por mês, com tudo incluso. O lado ruim é que você nunca saberá se cairá numa cilada até cair. Mas pode ser que você acabe num lugar super legal e conheça ótimas pessoas. You gotta take your chances.
Se quiser alugar um apê só pra você aí os custos aumentam, mas se for um 1 1/2 dá pra achar por uns 500 dólares também. A partir daí, cada cômodo custa geralmente uns 100 dólares a mais por mês, lógico, com suas variações. E lógico que dependendo do bairro. Esses preços são uma média de apartamentos moráveis, sem luxo algum, em bairros moráveis de Montréal. Não é o preço de Outremont e Westmount nem o preço de um moquifo lá na pqp onde nem o trem chega. Tirando os bairros da moda e dos ricos (que vão ser sempre caros) o preço sempre tende a aumentar quanto mais perto do centro você estiver.
E pra saber o custo de um apê do jeito que você quer e no bairro que você quer, aconselho visitar o Padmapper.

Outro ponto interessante a ressaltar é se o apê já vem com energia, água quente e calefação inclusos no aluguel. Se sim, tant mieux. Se não, não se esqueça de considerar estes valores na hora de fazer as contas.
Meu apê não têm estes custos inclusos e este mês chegaram as primeiras faturas!!! Medo!
Tenho que pagar 12 dólares por mês para a  HydroSolution pelo aluguel do chauffe-eau (um equipamento que aquece a água) e mais x por mês para a Hydro-Québec, cuja primeira conta é bem salgada pois é cobrado um valor de 50 dólares (plus taxes) para a abertura do seu dossie. Mas o que me preocupou mesmo foi o consumo, que foi o dobro do da inquilina anterior. Estou já imaginando o quanto essa conta vai me custar no inverno. E olha que eu tento economizar o máximo possível!
Ah, e pra finalizar um conselho de amiga: se possível, alugue um apê com entrada pra lavadora - secadora. Lavar roupa na lavanderia (seja ela do prédio ou não) é uma m****. Sua roupa só vai ficar molhada e não limpa!

2. Internet, TV, telefone
Aqui no Québec quase todo mundo tem Bell ou Videotron. Acho que deve existir outra(s) operadora(s) de tv, internet etc, mas eu desconheço. No site deles tem os preços de todos os serviços, sejam eles separados ou em bundles. Agora, a dica é ficar de olhos bem atentos pois existe uma guerra entre as duas e sempre tem altas promoções. Se você ficar esperto pode conseguir um bom desconto.
No meu caso uma amiga me avisou de uma promoção relâmpago da Bell e consegui um bundle internet ilimitado + TV com canais de base + 30 canais à escolha pelo mesmo preço apenas da internet. Mas não tenho telefone residencial (e não faz nenhuma falta). E pra quem não sabe aqui os pacotes de TV são sempre HD e quase todos vem com um equipamento para você gravar o programa que quer e assistir depois. No Brasil, eu tinha que comprar o pacote mais caro para ter essa opção de gravação e ainda pagar mais R$ 40,00 por mês por isso. Quanto ao serviço de internet não tenho do que reclamar até agora. Minha velocidade é a menor dentre as opções e mesmo assim é bem mais rápida que a internet que eu tinha no Brasil que teoricamente era o dobro dessa que eu tenho aqui. Até agora não tive problemas com queda de sinal ou qualquer outra coisa, tanto da TV quanto da internet.

3. Celular
Bom, minha base de comparação para custo de celular é meio nula, pois no Brasil eu tinha um pré-pago da TIM que eu fazia questão de esquecer no fundo da bolsa e recarregava a cada três meses pra não perder a linha (não sou uma pessoa ultra-tecnológica, acho que já deu pra perceber faz tempo né). Mas mesmo assim eu sei que celular custa caro no Brasil. Aqui também. O fato de você pagar as ligações entrantes é muito irritante, mas temos que dançar conforme a música né. Aqui existem muitas operadoras, mas na verdade o mercado é dominado por poucas empresas pois a Fido é da Rogers, a Koodo é da Telus e a Virgin é da Bell. E tem a Public Mobile também. Enfim, infinitas opções de escolha de planos e aparelhos. A diferença aqui é que você faz um plano de 2 ou 3 anos e sai com um bom aparelho de graça ou um ótimo aparelho por 150 dólares tops. Os planos mensais também podem variar bastante, inclusive na mesma operadora, de um mês para outro mudam as promoções e com isso os valores dos planos também. Mas em geral com 60 dólares por mês dá pra ter um celular legalzinho com muitos minutos pra falar e um plano de dados decente. Agora se você consome muitos dados talvez tenha que pegar um plano mais caro. Mas antes de comprar o mais caro lembre-se que aqui tem wi-fi free em tudo quanto é lugar!

4. Supermercado
Esse item é muito difícil de colocar um preço e todo mundo sabe as razões. Pra simplificar: eu sozinha gasto uma média de 150 dólares por mês no supermercado. Atenção: não esbanjo. Só compro o que tá na promoção! Sim, dá pra fazer boas compras apenas com os itens na promoção. Tenho evitado comprar "besteiras", coisas industrializadas demais, as famosas porcarias tão gostosas de comer e tão pouco nutritivas. Compro o básico, me dou de presente algumas coisinhas mais caras e diferentes de vez em quando, mas sem sair do budget. Só lembrando que eu não compro muitos produtos lacteos, que são considerados caros aqui, nem alcoólicos (que eu deixo pra comprar no bar! haha) e dizem os outros que eu como feito um passarinho!
Dica: neste site tem as circulaires de todos os supermercados. É só fuçar lá pra saber quanto custam as coisas por aqui.

5. Lazer
Outro item que não dá pra por preço. Você pode gastar muito ou pouco, dependendo dos teus hábitos. Este item pode facilmente devorar seu orçamento se você não tiver um certo controle.
Aqui existem muitas opções de lazer gratuitas, mas mesmo assim sempre acaba-se gastando um pouco. Você sai de casa e sempre compra uma água, uma cerveja, toma um sorvetinho, enfim, nunca fica no 100% gratis. Se for pra bares e restaurantes então, tem além do impostinho amigo de 15% o pourboire de 15%, totalizando sempre 30% a mais do que o valor inicial.
Mas pra exemplificar vou listar o preço médio de alguns itens:
Cinema: 13,00. Se for IMAX 20,00 (de terça o cinema custa quase metade do preço)
Shows, Teatros, Ballets, Eventos esportivos etc: variação gigantesca de preços. No site da evenko tem o preço de tudo que rola na cidade
Exposições: 25,00
Entrada para atrações turísticas: 15,00
Pichet: 13,00 (depende muito do bar e da cerveja, mas gira em torno disso)
Sorvete: 5,00 (tamanho médio)
Mas só lembrando que lazer é fundamental e não podemos, mesmo tendo que economizar no começo, abrir mão de sair, passear, nos divertir. Se não a vida não tem graça!

6. Transporte
O sistema pública de transporte daqui é bom, não é perfeito como nada no mundo, mas funciona bem legalzinho. Comprar apenas um bilhete de ônibus/metrô é caro (3 dólares) mas pra quem usa sempre o ideal é comprar o passe mensal que te dá direito a usar os ônibus e metrôs quantas vezes quiser no mês pelo valor fixo de 77 dólares. Também existem muitas outras opções de bilhetes que podem ser consultadas no site da STM. Pra quem anda de bike existe a opção do bixi e a opção do OPUS + bixi, que acaba saindo com um bom desconto. (eu não sei os preços mas no site da STM tem tudo explicado).
Agora, pra quem vai querer anda de carro, vou ficar devendo pois não tenho carro e não tenho também intenção de comprar um carro, desconheço os valores de seguro, o preço dos pneus de inverno, de estacionamento etc. A gasolina eu sei que hoje tá valendo 1,37 o litro mas acho que em cima desse valor tem impostos e uma taxa que não sei o nome.
Vale lembrar que comprar um carro aqui é facil, o problema é mantê-lo!

7. Mobília da casa
Nem vou escrever muito: você pode comprar tudo novo em lojas como Ikea, HomeDepot, The Brick, Leon, Brault & Martineau, BestBuy, FutureShop, e lojas chiquetosas de design espalhadas pela St-Laurent ou comprar usado dos vários brasileiros que vendem tudo quando se mudam pra uma casa maior/menor ou voltam pro Brasil ou ir à caça no Craigslist e Kijiji. Aí vai da curiosidade de cada um fuçar e ver o preço das coisas.

8. Roupas de inverno
Ainda não comprei, ainda não pensei nisso e se Deus quiser quando o momento necessário chegar eu vou estar trabalhando.

No geral é isso. Existem muitos outros gastos que vão sendo adicionados no orçamento ao longo do mês, dependendo do modo de vida de cada um.
Uma coisa sempre importante a se considerar é: lembrar que todos esses preços são sem os impostos (tirando aluguel), então tudo vai ficar 15% mais caro. E que existem muitas e muitas deduções no seu holerite!

E para quem possa interessar, uma matéria da Gazette explicando um pouquinho mais sobre o salário mínimo no Québec.

Espero que essas informações sejam de serventia pra alguém.
Bisous!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

4 meses de coisas boas para contar

Oi pessoas,

Voltei pro blog. Sempre penso nele mas nunca venho aqui pra escrever. Hoje eu vim. Ontem comemorei meus quatro meses de Canadá, e em grande estilo: assistindo a final da Coupe Rogers, quer mais o quê?

Com certeza ninguém se lembra deste post, mas eu lembro. Em 2011 eu já sonhava que em 2013 veria um jogo da Coupe Rogers e não é que acabei vendo vários? Nem nos meus melhores sonhos eu esperava por essa. Me inscrevi como voluntária do torneio e além de poder ajudar e dar minha contribuição eu ainda consegui assistir vários jogos sem pagar nada, inclusive uma semi final entre Djokovic e Nadal!
Foi muito legal poder estar tão perto desse mundo do tênis, que eu adoro, e ver como é trabalhoso organizar um evento deste porte. Só me deu mais vontade ainda de trabalhar com isso, mas essa estória de trabalho eu vou deixar pra outro post.

Semi-final entre Djokovic e Nadal, que venceu e ficou com o título


Fora isso e a maldita alta do dólar, tudo anda mais ou menos dentro do esperado. Estou procurando emprego, fiz umas poucas entrevistas, e apesar de estar esperançosa e confiante de que o emprego vai chegar eu sigo completamente indecisa no que diz respeito ao que quero de verdade fazer da vida. Bom, eu sei que a hora que eu decidir, eu mudo de idéia e assim será talvez por toda a vida. Enfim, como já disse, outro post.

Sobre custo de vida acho que vou fazer um post só para isso. Assim fica mais fácil pra quem não chegou ainda e quer saber quanto tá custando viver por essas bandas.

A cidade continua oferecendo várias opções de divertimentos gratuitos mas agora em menor quantidade. Essa semana mesmo vai rolar Orchestre Symphonique de Montréal no Stade Olympique de graça e eu obviamente estarei lá.

Ando com vontade de conhecer mais a ilha, ou mesmo sair da ilha, mas por enquanto só tenho me permitido programas gratuitos e isso limita um pouco as opções. Mas assim que der, nos próximos fins de semana pretendo dar umas exploradas por lugares nunca dantes caminhados.

O tempo tem passado bem rápido e até agora nenhuma surpresa ao longo do caminho: há dias em que estou homesick, coração apertado, me pego me imaginando no Brasil com a minha família... mas passa. Tem dias que também bate uma certa angústia, acho que o fato de você não ter a menor idéia de quando vai ter emprego, quando vai conseguir um break-even, o fato de não saber se está indo pelo caminho certo e tomando as decisões mais corretas. Mas logo depois eu saio de casa, vejo os amigos, dou risada, passeio, me lembro de que já fiz mais coisas bacanas aqui em quatro meses do que nos meus últimos quatro anos no Brasil, converso com minha irmã que me conta sobre o aumento dos atos de violência onde morava... Aí eu olho em volta e vejo essa calmaria toda, bem, aí é a hora da angústia dar lugar ao alívio e à alegria.

O post já ficou grande, é hora de ir. Prometo que essa semana escrevo mais.
Bisous!

terça-feira, 23 de julho de 2013

C'est l'été: on sort!

Olá leitores que nem devem mais lembrar que este blog existe.
Eu sumi... tava curtindo o verão. Ainda estou e estarei enquanto ele durar.
Não vou falar que tava sem tempo de escrever. Eu tava é com preguiça. Tá certo que tá bem corrido por aqui, mas sempre sobra tempo. E quando sobra tempo eu to na rua curtindo o que a cidade tem pra oferecer. E tem muita coisa. Todo mundo já sabe que Montréal ferve no verão (literalmente também. Semana passada a sensação térmica chegou a 43ºC), mas eu juro que não imaginava o quanto de atividades gratuitas rolam por aqui. Se quiser você pode sair todo dia pra fazer alguma coisa diferente sem pagar nada. E eu, imigrante pobre sem trabalho tenho mais é que aproveitar tudo isso, porque além de ser gratuito ainda por cima é bom. É tudo super organizado, tranquilo, feito para todas as idades e gostos diferentes.

E quanto ao resto: já vai fazer 3 meses e meio que cheguei. To muito satisfeita e feliz com tudo. Tem dias que saio de casa, olho à minha volta e fico pensando "como eu adoro essa cidade". A única coisa chata é que toda vez que penso isso eu sinto uma vontade enorme de mostrar tudo o que Montréal tem de legal pros meus amigos, minha família, mas eles não estão aqui. Ficar longe realmente é o pior de tudo. Aliás, pra mim, a distância dos meus queridos é a única coisa ruim até agora (fora a alta ridícula do dolar que está me matando!!!).

Esse mês eu me mudei pra um apartamento só meu. Não via a hora. Minha coloc era legal mas digamos que o padrão de limpeza dela não era bem aquele que eu gostaria, ou melhor, era nulo, e com o passar do tempo isso foi me incomodando muito. Agora me sinto muito mais livre, morando no meu cantinho e cuidando das coisas do meu jeito. Fui várias vezes na Ikea e graças à ajuda de vários amigos a casa já tá quase no jeito. Ainda falta comprar o sofá e instalar as cortinas, mas nada que esteja me fazendo muito falta neste momento. E depois que eu estiver trabalhando vou ficar mais à vontade pra gastar um extrinha com decoração, que pra mim faz toda a diferença entre uma casa e um lar. Umas plantinhas, uns quadrinhos, vasinhos, mimos desnecessários totalmente necessários.

Minha francisation terminou esse mês e como perdi os prazos pra me inscrever no francês escrito, vou ficar sem estudar até setembro, quando começa o curso de Français d'affaires que quero fazer. A meta agora é procurar emprego. Confesso que não consegui focar 100% ainda mas to chegando lá. Eu meio que abandonei minha conseillère en emploi e ainda não decidi se volto a procurá-la, se vou diretamente no CLE (onde não tive uma boa impressão quando estive lá), ou se procuro um Club de recherche d'emploi. Pra falar a verdade não tenho vontade de nada disso. Queria procurar trabalho sozinha, em casa e pronto. Mas como em casa a preguiça e as distrações falam mais alto, fico pensando que talvez o Club de recherche seja a melhor solução pra mim, ainda que eu saiba que será bem difícil, visto que o método deles não tem nada a ver com o meu perfil de pessoa introvertida. Bom, ainda não resolvi e aceito sugestões.

E pra finalizar, preciso começar a fazer mais exercícios e acabar com essa vida de sedentária. Ainda não comprei a bicicleta que eu pretendia comprar antes de vir pra cá, quando vou ao parque é pra fazer pic-nic e não pra caminhar ou correr e nunca bebi tanta cerveja e tomei tanto sorvete como agora. Aí, já viu onde isso vai parar né!

E pra resumir os eventos em fotos:

Show do Radio Radio no Francofolies

Exposição do Chihuly no MBAM

The Scottish National Jazz Orchestra - JazzFest


A Midsummer Night's Dream - Shakespeare in the park

Montréal Complètement Cirque

Promenade nocturne au Vieux-Port
Bisous!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Deux mois au Canada!

Salut!

De volta ao blog para a comemoração dos dois meses de Canadá.
É engraçado como eu sinto que faço menos coisas (produzo menos) aqui do que no Brasil, mas mesmo assim sobra muito menos tempo. Vai entender.

Bom, após dois meses aqui continuo muito contente e satisfeita com meu novo país. Do Brasil eu só sinto falta das pessoas, por enquanto. Talvez daqui um tempo eu sinta falta da mandioca que dava no quintal de casa e é a melhor mandioca do mundo, sinta falta do bolo de brigadeiro que eu comia todo mês, do pastel de quase todo sábado e dos jogos de vôlei da Superliga que eu assistia à noite quando não tinha nada melhor pra fazer (quase sempre). Mas acho que ainda vai demorar um pouco pra essas saudades aparecerem.

Sobre a vida aqui:
Apesar da francização não estar me acrescentando muito eu sinto um progresso diário no meu francês. Converso com o povo da aula, com a coloc, com os vizinhos, com o telemarketing... acho que é a confiança que cresce dia a dia. Semana passada uma québécoise falou que meu francês era ótimo. Fiquei muito feliz, mesmo achando que ela só tava querendo ser boazinha, mas é sempre bom ouvir elogios né.
Lógico que eu não entendo 100% do que o povo fala, ainda mais se for alguém com muito sotaque ou que carrega nas gírias, mas meu franceszinho tá dando pro gasto.
Tenho feito quase tudo em francês desde que cheguei. Só falei inglês aqui duas vezes, no banco, pois achei que era um assunto muito importante e eu não saberia me virar do jeito que queria em francês. Mas isso foi logo que cheguei. Depois foi francês, francês, francês, e português, bien sûr. Muito português.
Mas o mais estranho de tudo é o sentimento que estou tendo quando ando pelo centro e só ouço inglês. Eu começo a me sentir incomodada. Nunca pensei que sentiria isso, mas eu fiquei pensando: "caramba, to em Montréal e só escuto inglês por todos os lados."
E só pra deixar claro, eu sou a favor do bilinguismo. Mas confesso que ando me irritando um pouco quando estou em um ambiente e SÓ escuto inglês. Vai entender!

Tenho conhecido muita gente bacana aqui, a maioria brasileiros, e tentado aproveitar tudo o que a cidade oferece gratuitamente. Os programas pagos estão praticamente proibidos enquanto eu não estiver trabalhando. E olha que mesmo assim falta tempo pra curtir tudo. Todo fim de semana tem sempre algo rolando em algum parque, ou na Place des Festivals ou numa rua qualquer. Ah, e durante a semana também não faltam atividades. Desde que cheguei já fui em quatro museus, tudo de graça, (três foram graças à francização e um foi na Journée des musées montréalais), já vi showzinhos de bandinhas legais na Place des Arts, no Plateau, já peguei filminhos na biblioteca, estou lendo meu quarto livro, quando o tempo ajuda vou ao parque fazer caminhadas, fico paquerando as flores dos jardins alheios, enfim, nunca faltam coisas pra fazer. E se você tiver grana então, o céu é o limite.
Essa semana começa Francofolies, depois tem Festival de Jazz de MontréalMontréal complètement cirque, e por aí vai. Junho e julho vai ser difícil achar tempo pra dormir!

E por falar em dormir preciso comprar uma cama e todo o resto. Ultimamente estou como uma freak nos sites das lojas aqui, vendo tudo o que quero comprar pra minha casinha nova, que aliás poderá receber visitas em breve. Oba! Oba! Não vejo a hora de me mudar e deixar tudo do meu jeito, num apê limpinho e sem pelos de gato voando por todos os lados.

Quanto ao emprego, confesso que ainda não estou empenhada nisso. Me sinto culpada porque deveria estar procurando emprego de verdade, mas o fato é que não to conseguindo me concentrar nisso agora. Acho que só vou conseguir me empenhar de verdade depois que a francização terminar, daqui um mês. Tive até agora duas reuniões com a conseillère d'emploi mas não to gostando muito não. Ela não me escuta. Ela cismou que eu fazia um trabalho x no Brasil e não consegue parar um minuto pra me ouvir e entender o que eu realmente fazia. Tudo tem que ser totalmente regrado. Você precisa fazer as coisas exatamente do jeito que eles querem, só que eu não funciono assim. Detesto que me digam o que fazer e como fazer se eu não concordo com o que está sendo dito, ou se não existe ao menos uma forma de diálogo entre as partes. Sei que preciso trabalhar isso porque aqui minha vida profissional será muito diferente do que era no Brasil, mas enfim. Acho que o problema está acima de tudo em mim, que ainda não sabe o que quer direito da vida, e a conseillère precisa de objetivos claros para trabalhar, o que torna este processo todo mais difícil. Mas eu já imaginava que seria assim. Preciso de foco. E depois muito empenho e alguma sorte. À suivre...

E pra terminar fiquem com algumas fotinhos desses dois meses de Canadá, mais especificamente Montréal, porque eu ainda não saí da ilha.

Le Village
Belvédère Kondiaronk du Mont-Royal
Praticando francês na rua
Basilique Notre-Dame
Poutine com pepperoni do La Banquise
Calor de mais de 30ºC

À la prochaine mes amis!
Bisous!


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Petit a petit

Olá queridos leitores,

A vida aqui anda corrida. Tão corrida que estou bem ausente da blogosfera ultimamente. Não dá tempo.
Mas hoje resolvi separar uma horinha para por o blog em dia. E resolvi fazer tópicos pra ficar mais fácil.

Francisation:
Depois de duas semanas de francisation em tempo integral acho que já posso falar com mais propriedade sobre a aula: acho a aula boa, mas não é para o meu nível. Tudo o que vi até agora (e tudo o que está no programa do curso) eu já aprendi faz tempo. A verdade é que o nível 3 corresponde ao intermediário avançado e eu estou no avançado. Então eu acabo bocejando a aula inteira. Mas resolvi que vou ficar lá até o fim: sempre se aprende algo novo e nesse momento é melhor estudar nem que seja um pouco do que ficar em casa sem fazer nada.
Segundo informação que recebi do MICC eu não posso fazer francês escrito ou os outros cursos de francês especializados, como francês para negócios por exemplo, se não fizer antes o nível 3 do geral.
Não me entendam mal, o curso é bom, só não é o adequado para mim. Acho que pra quem chega com nível básico ou intermediário o curso é excelente. Mas se você já chegou no B2 do DELF, você vai achar a francisation fraca. Por isso, para os que ainda virão e já falam mais ou menos, nem fiquem contando com ela pra melhorar o francês. Procurem uma escola que ofereça um nível avançado ou estudem por conta. Algo que fiz muito no Brasil enquanto esperava e está me ajudando demais aqui é ler e assistir tv quebeca. Acho que ver tv às vezes pode valer mais a pena do que fazer milhões de exercícios. Tudo depende do que você quer aperfeiçoar. O bom da tv é treinar o ouvido e ir se familiarizando com seu novo país.
Só lembrando que essa é a minha experiência. Cada um tem a sua e elas podem ser muito diferentes.

Emploi:
Ainda não comecei de verdade a procurar emprego aqui. Está faltando tempo pra me dedicar a isso. Porque procurar emprego aqui exige muita dedicação. Mas sobre isso falarei mais tarde. Até agora o que posso dizer é que essa semana tive meu primeiro rendez-vous com minha conseillère en emploi, serviço gratuito (parece que dependendo do caso o governo até paga uma ajudinha de custo pro candidato) oferecido por vários órgãos governamentais e centros de ajuda aos imigrantes. Eu estou fazendo no Hirondelle, por recomendação de dois amigos. O primeiro rendez-vous foi mais administrativo mas a partir de agora terei encontros periódicos que espero sejam de grande utilidade para que eu consiga meu primeiro emprego em terras canadenses. À suivre...

STM:
Pra quem não sabe, STM é a companhia responsável pelo transporte público de Montréal. Na verdade eu não sei se o tópico deveria se chamar "STM" ou "Motoristas de ônibus". Só porque no meu penúltimo post eu elogiei os motoristas agora eu tenho que vir aqui falar mal. Estou impressionada com o que ando visto ultimamente: pessoas paradas no ponto esperando o ônibus e o motorista fingindo que não vê e não pára. Já vi isso acontecer três vezes na última semana. E na boa, eu tenho certeza que o motorista viu, porque as pessoas (em cada situação havia uma pessoa sozinha) acenaram, correram atrás do ônibus, gritaram e mesmo assim o motorista não parou, seguiu em frente como se nada estivesse acontecendo. Em dois dos casos alguns passageiros chegaram a falar em voz alta que havia gente no ponto, mas nada...
Além disso, vire a mexe o ônibus simplesmente não passa. Aconteceu comigo duas vezes essa semana.
Já sabia que a STM não é 100% confiável, pois da outra vez que morei em Montréal cansei de ficar esperando ônibus que nunca passou. Mas geralmente eram os ônibus noturnos.
Conclusão: sábia decisão minha de ir morar pertinho do metro, este também que vira e mexe tem suas panes, mas melhor esperar em um lugar fechado do que no meio da rua enquanto faz -20ºC.


E enquanto os dias passam eu vou conhecendo mais gente e mais de Montréal. Mais de seus jardins lindos, seus parques cheios de vida, suas lojinhas descoladas, seus restaurantes gourmets (ou pas), seus eventos gratuitos, seus habitantes estranhos. Cada dia descobrindo um pouquinho mais da minha nova cidade.

Bisous!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Uma nova francisation

Conforme eu já tinha escrito neste post, tentei a francisation à temps complet mas devido à demora para o início das aulas (só fim de agosto) acabei me inscrevendo numa outra francisation à temps partiel. Só que o pessoal do Bureau de Francisation não sabia disso e me mandaram, há mais ou menos duas semanas, um email marcando um rendez-vous para uma évaluation linguistique, para que eles pudessem avaliar meu nível para eu começar na próxima turma. A avaliação era hoje. Como eu sabia que as aulas começaram semana passada, desencanei de ir porque imaginei que não ia rolar de começar na sessão de primavera mesmo. Ontem liguei no MICC pra cancelar o rendez-vous, pois achava que como já estava na outra francisation não poderia fazer as duas. Além disso as aulas só começariam no fim de agosto, e até lá eu já quero estar trabalhando e não teria tempo de estudar o dia todo. Ao ligar lá o atendente me disse que a francisation do Centre St-Paul não me impedia de fazer a do MICC (pois eu não fui direcionada para lá pelo MICC, e sim por conta própria) e sendo assim eu resolvi manter o rv. Pensei que na pior das hipóteses se eu não tivesse emprego até agosto, eu ia fazer a francisation integral e melhorar mais meu francês e poderia  ainda contar com a bolsa, coisa que seria de grande valia nesse caso. Pois bem, fui lá no Bureau fazer a avaliação e para minha total surpresa meu avaliador conseguiu uma vaga pra mim, pra começar amanhã, no Cégep du Vieux-Montréal, de 12h30 as 19h. Tempo integral e com bolsa!


Fiquei muito feliz e satisfeita, pois isso era o que eu queria desde o início. E ainda mais depois de ler o relato sobre a francisation do pessoal do Penso, Logo Imigro com ótimas recomendações do curso do CVM.
Depois fiquei pensando que se eu estivesse no Brasil, provavelmente não iria ligar pra desmarcar o rv. Simplesmente não iria aparecer e pronto. Mas aqui eu me empenho mais em fazer tudo certinho. Liguei, fiquei mais de 10 minutos na linha esperando pra conseguir falar com alguém, estava ao ponto de desligar o telefone (só não o fiz pois tinha minutos sobrando) e o atendente fez tantas perguntas e explicou como funciona o sistema que acabei mantendo o rv. Se não tivesse ligado eu não teria ido hoje e amanhã seria outra pessoa começando as aulas no CVM no meu lugar.
Ponto pro MICC.
E um pontinho bem pequenininho pra mim também, que sempre lembrarei dessa estória quando encontrar algum empecilho no meu novo caminho aqui. Um "não" às vezes pode se transformar em um "sim".

Agora deixa eu ir correr no parque aproveitar meu "dia de folga".
Bisous!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um novo chez moi


Bonjour people,

Novidade da semana: achei um apartamento e assinei meu bail ontem! Yes!
Desde que cheguei estava preocupada com isto pois resolvi me mudar dia 1º de julho, o dia da mudança, e tava com medo de não achar nenhum lugar decente se eu deixasse pra mais tarde. Depois de dois fins de semana intensos só focados nisso, depois de ver mil anúncios, ligar para uma centena de pessoas e visitar 12 apartamentos, voilá: consegui achar um lugar não muito caro, não muito minúsculo, com aparência decente, pertinho do metro e uns 15 min. de caminhada do parque Olímpico, perto de supermercado, farmácia, banco, dollarama (eba! hehe), numa rua tranquila e com uma proprietária que não encrencou com a minha condição de recém chegada e desempregada.

Agora já posso me tranquilizar e focar na busca de um emprego. Semana passada fiz uma “formação” do MICC chamada Objectif Intégration, que explica de maneira geral como é a vida aqui, mercado de trabalho, algumas leis trabalhistas etc. Mas é uma formação bem generalista e 85% da informação dada eu já sabia. Agora esta semana tenho um rendez-vous com uma conseillère d’emploi e depois pretendo fazer outra formação de três semanas só focada no mercado de trabalho. E daí espero colher os frutos né!

E com relação à francisação, ainda vou esperar mais uma semana pra dizer com mais certeza, mas até agora não está nada bom. Minha classe é na verdade junto com o nível escrito I e II, que teoricamente é mais forte que o nível 6. Mas na prática cada aluno tem um nível diferente (muito diferente) de francês. Tem gente no nível escrito II que ainda não sabe direito a diferença entre PC, Imparfait e PQP. Muitos alunos ainda não tem vocabulário de base. A professora é muito fraca, ela não explica a teoria, só dá uns exercícios e pronto. Quando alguém não sabe uma palavra, ao invés dela dar a definição em francês, ela dá o sinônimo em inglês. Fora que a aula começa às 17h10 mas ela fica esperando (sem fazer nada, sem dar nenhuma atividade) os alunos que chegam mais tarde, então na prática a aula só começa às 18h20. Estou realmente muito decepcionada com as aulas. Espero que melhore nas próximas semanas se não vou acabar desistindo.
 
E fora isso o que mais posso dizer? Montréal está linda linda linda. É a primeira vez na vida que vivo uma
primavera de verdade, apesar das temperaturas estarem mais para verão (tem feito um calorzão e dias mega ensolarados há mais de uma semana). Ver as árvores renascerem é lindo. Quando cheguei estavam todas secas, sem folha alguma, e agora já estão verdinhas, cada dia mais verdes de suas jovens folhas. É muito
lindo presenciar esta mudança na cidade. Estava andando no bairro no fim de semana e vi vários jardins
com suas tulipas já florescidas. Fiquei olhando com a maior cara de boba feliz do mundo. A mesma cara de tonta que eu faço quando olho escrito no ônibus: Go Canadiens Go! E depois quando entro no ônibus e encontro motoristas super simpáticos que trabalham com um sorriso no rosto.
Montréal Montréal, é difícil não gostar de você!

Bisous!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cargué dans ma chaise - Quoi?

Hello people,

Esses últimos dias aqui tem sido muito corridos e um post contando mais sobre o que tem acontecido por aqui vai ficar pro fim da semana. Mas pra não deixar o blog às moscas e vou compartilhar uma música que ouvi num comercial da L'Aubainerie e que depois descobri que é de uma banca acadie chamada Radio Radio e que canta em chiac (uma mistura de francês com inglês).
Eu to viciada na música... minha coloc (que é uma pessoa mega empolgada diga-se de passagem) adora Radio Radio e já está até querendo descobrir quando é o próximo show deles aqui pra nós irmos...

Bom, o exercício consiste em ouvir a música e tentar entender alguma coisa. Só depois vale olhar a letra, ok?
E se você não entender nada é porque assim como eu você também não fala chiac.



Game over 
Prend mes leftovers 
J'su deaf tone baraque 
Dans le fuck qu'est bernak 
Sur le catwalk 
Text mon laptop 
La nuit est calme 
Faut que j'impress les dames 
Avec ma lazy walk boy ej m'enjoy 
Une bonne p'tite drink c'est une almond joy 
All inclusive non 
Intrusive 
Jasé, jasé, jasé, jasé 
Cargué dans ma chaise 
À la sortie d'la maze 
Belle smile belle plume 
Tu t'sentirais à l'aise 
De dire quoi c'qu'tu veux 
Si qu'tu veux Security est clearée 
So tout se peut 
Pour une smile 
Belle plume S'envole 
Lagos portal 
I'm a fly away 
33tours 33 journées 
Avantqu'on réalise 
Même yousqu'on est
On est carqué dans ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Tout le monde est icitte 
Sur même lunar phase 
On est carqué dans ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Y'a d'autres affaires à faire 
Mais y'a vraiment rien qui presse
On est carqué dan ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Ça icitte c'est mon lazy boy 
On est carqué dan ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Jasé, jasé, jasé, jasé
Carqué dan ma chaise 
Le guy est à l'aise 
Le feu qui brasse 
Pis y check-out la braise 
Le temp sont bons 
Super duper freaky bons 
C'est le two-step front 
Le one-tep back 
Shake ton tchu 
Sweat it out 
Relax
Dinner in the sun c'est une bonne idée 
Y'a d'la place sur le couch 
Veux-tu t'installer? 
Jasé, jasé, jasé, jasé 
Y me faut du mouth to mouth 
Veux-tu t'installer?
J'su relax, t'es relax, c'est relax so


Bisous!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Francisation: c'est parti!

Salut tout le monde!

Estes últimos dias foram cheios de coisas boas para comemorar.
Estou me sentindo super à vontade aqui e confiante de que os planos tão sonhados vão se transformar em realidade.
Semana passada tive a oportunidade de conhecer várias pessoas muito legais e me sinto cada vez mais acolhida nesta cidade. Sexta tomei um café na Juliette et Chocolat com uma nova amiga, muito legal,  simpática e prestativa. Sábado fui convidada para a última Cabane à Sucre da temporada e pude passar um dia super agradável com um grupo muito bacana de brasileiros. Aproveitamos o dia e também fomos no Parc National des Îles-de-Boucherville. Pena que estava um vento da peste e depois começou a chover, mas deu pra ver uns veadinhos pelo menos. E quanto à cabane, foi um programa bem gordo e muito divertido. Comi muito oreille de krisse, jambon fumé, creton, salade de choux e sirop d'érable bien sûr!
Adorei conhecer todo esse pessoal e pouquinho à pouquinho começo a me sentir mais confortável aqui.

Tarte à sucre avec sirop d'érable  :-)

Bom, deixa eu falar agora sobre a francisation, já que este é o assunto principal do post. Logo que cheguei e dei entrada nos meus documentos, preenchi a demande d'admission en ligne pra francisação em tempo integral. Meu objetivo era fazer a integral pois assim eu ficaria muito mais horas estudando e ainda contaria com a bolsa que o governo oferece. Não é muita coisa mas já é uma ajudinha quando não se está trabalhando. Mas eu já sabia que as vagas são limitadas e se não rolasse eu já tinha meu plano B: Commission Scolaire.
Fui no bureau de francisation no dia seguinte levar uma cópia do CRP e perguntei à atendente quando começariam as aulas. Ela me disse que só no fim de agosto. Aí eu perguntei se não teria condições de eu entrar na turma que começa em maio e ela me disse que não daria mais tempo. Ok. Saí de lá e já liguei pro Centre Saint Paul marcando um rendez-vous para inscrição na francisação. Eu já tinha pesquisado os principais centros da Commission Scolaire que oferecem a francisação em tempo parcial e este era o mais perto de onde estou morando, então resolvi ligar nesse mesmo. Marcaram meu rendez-vous pra hoje e já avisaram que as aulas começavam dia 29 de abril. Perfeito! De jeito nenhum não vou ficar quatro meses parada esperando pela integral se eu posso começar a parcial agora.
Meu rendez-vous era só no fim da tarde, então aproveitei pra pegar um cineminha antes. Assisti Dans la maison e super recomendo. Adorei o filme. E saí do cinema bem contente de ter entendido uns 85% dos diálogos.
Cheguei no Centre, mostrei os documentos solicitados e fui encaminhada para conversar com a professora. Foi um bate-papo pra ela avaliar meu nível de francês, tudo oral, nada de prova escrita. Entrei no nível 6 e depois se eu quiser continuar tem mais duas etapas de francês escrito. Espero que eu consiga acompanhar a turma, pois faz um tempão que não estudo francês direito. Fiquei até surpresa em cair no nivel 6 mas confesso que queria uma prova escrita pois peco demais escrevendo e talvez esse nível não seja o mais indicado para mim. Veremos.
Cada nível dura dois meses.  As aulas começam segunda feira que vem. Fiquei muito contente de poder começar a estudar assim tão rápido, em 18 dias de Canadá!

Agora é se dedicar muito, ler bastante, ficar mais à vontade com a língua e logo logo começar a procurar emprego!

Bisous!

terça-feira, 16 de abril de 2013

L'île d'Anticosti

Oi pessoas,

Essa semana eu fui "apresentada" à île d'Anticosti, a maior ilha do Québec. Confesso que nunca tinha ouvido falar nessa ilha e fiquei fascinada com a sua beleza. Ela fica perto de Gaspé, contava 281 habitantes em 2006 e pra chegar lá só de avião ou um navio que lá aporta duas vez por semana.
Fiquei babando nas fotos que eu vi e resolvi compartilhar.







E aí, alguém procurando destino pras próximas férias de verão?
Ah, só um detalhe: as praias são mais pra olhar mesmo viu, já que a média da temperatura no verão é de 15ºC.

Bisous!

domingo, 14 de abril de 2013

Bonjour Montréal!



Bonjour tout le monde!

Agora escrevendo diretamente da minha nova cidade, Montréal.

Esses primeiros dias por aqui foram meio corridos e cansativos. Até tive tempo de escrever antes, mas pra falar a verdade eu tava morrendo de preguiça.  Então, pra matar a curiosidade de alguns, ajudar em possíveis dúvidas de outros e principalmente pra ficar registrado aqui, para que eu possa ler e reler no futuro, aqui vai um resumão do que aconteceu até agora.

Passei a quarta de manhã com minhas irmãs e teve horas que tive que respirar bem fundo porque achava que não ia conseguir. Eu olhava pra elas e me batia uma agonia terrível, sentia dor no peito, sintomas físicos mesmo. Foi bem difícil, eu sou muito ligada à minha família e principalmente às minhas irmãs, somos muito grudadas. Mas eu já sabia que seria assim.

Meu voo saiu de Garulhos na quarta à noite com conexão em Miami pela AA. Na época que comprei a passagem não achei nenhuma promoção e não consegui usar as milhas que eu tinha. Pra ficar mais barato comprei as milhas necessárias para o voo só de ida pela AA (a mais barata que achei) e assim acabei gastando quase a metade do valor que gastaria comprando uma passagem ida e volta ou só de ida (que não sei porque custa mais caro que a de ida e volta). Quis fazer conexão em Miami porque o avião que sai de NY pra Montréal é tão pequeno que a mala de mão não fica com você e é um teco-teco que chega a dar medo! O voo foi tranquilo, tomei um remedinho e dormi quase a viagem toda. Chegando em Miami, para minha total surpresa, fila de mais de duas horas para passar na imigração. E não adiantava falar que você ia perder sua conexão porque eles não tavam nem aí. Cheguei na fila da imigração as 5h30 e meu voo saia as 8h20, com embarque as 7h20. Fui passar no guichet já era 7h40. Ainda tinha que ir até a esteira, pegar as malas, ir para o outro lado do aeroporto, despachar as malas de novo, passar no raio X e chegar no meu portão de embarque que pra minha sorte era um dos últimos! Aí eu saí correndo pelo aeroporto me sentindo como se estivesse no Amazing Race. No fim consegui embarcar e tive ainda a sorte de sentar na janela com duas poltronas vazias do meu lado.

Chegando em Montréal fui tudo super tranquilo. Passei na primeira imigração, na fila dos turistas. Cinco minutinhos de fila e fui atendida. Me pediram passaporte, CRP e CSQ e me falaram para pegar as malas e depois passar pela outra imigração. Peguei as malas, coloquei no carrinho (de graça by the way – em Miami tive que pagar $5.00 pra usar o carrinho) e fui me dirigindo à saída. Quando você entrega o formulário que te pedem pra preencher no avião eles vêem que você é imigrante e te direcionam para outra sala onde você faz o landing propriamente dito. Lá também não havia fila alguma e fui atendida por um oriental muito simpático que conversou comigo metade em francês, metade em inglês, perguntou do meu bairro, falou que morava aqui perto, bla bla bla, me explicou tudo, perguntou quanto eu trazia de dinheiro (não pediu pra ver nada), perguntou o que tinha na mala e quanto valia tudo (a única coisa que ele pediu pra ver foi meu notebook) e só. Ele me encaminhou então pra uma outra salinha onde te dão orientação sobre os serviços oferecidos pelo governo do Québec. A moça me entregou uns folhetos, perguntou se eu tinha feito o SIEL, eu disse que sim, ela perguntou se eu tinha alguma dúvida, falei que não e pronto. A verdade é que eu tava tão cansada que não ia ficar perguntando nada lá pra ela. E acho que eles supõem que quem fez o SIEL já tem todas as informações então não ficam se prolongando muito não.
Saí do aeroporto, peguei um taxi com um haitiano que me perguntou sobre o Ronaldo, só pra variar, cheguei em casa e minha coloc estava me esperando.

Na sexta feira fui tirar os dois documentos principais: a carte soleil da RAMQ e o NAS. Amanheceu nevando. Acho que São Pedro quis que eu visse um pouquinho de neve antes de primavera chegar de vez. Peguei o metro, recarreguei meu OPUS card (se você já tem um, leve contigo porque ele vale por 4 anos), fui até a RAMQ, nenhuma fila, fiz tudo em menos de 15 minutos. Ficou faltando o comprovante de endereço que eu posso mandar via fax em até 45 dias. Mas já dei entrada e está tudo certo. Ah, tem que tirar uma foto lá na hora e pagar $10,30.
Depois fui no Service Canada pra tirar o NAS. Cheguei na hora do almoço e tinha fila de 1h30. L Esperei né! Após uma hora e pouco fui atendida e em menos de 10 minutos saí de lá com meu comprovante. O cartão deve chegar em até 3 semanas.
Depois fui tentar fazer um plano de telefone mas não tinha os documentos que eles queriam e resolvi deixar pra outro dia. Eles queriam meu NAS mas achei melhor arranjar outro documento pra dar no lugar. Fui na Grande Bibliothèque (sou apaixonada por essa biblioteca) e já revalidei minha carteirinha, também sem muitas burocracias. Fiz a demande en ligne para a francisation temps complet e segunda vou lá no Bureau de Francisation levar uma cópia do CRP.

Ontem visitei uma amiga e hoje vou dar uma volta no parque Angrignon, aqui perto de casa, e aproveitar pra comprar umas caixas pra guardar minhas coisas já que o guarda roupa aqui não cabe nem metade do que eu trouxe, e olha que minhas malas nem chegaram nos 32kg hein!

Estou me sentindo muito acolhida aqui. Todos tem sido simpáticos e receptivos. Já recebi vários convites para diferentes programinhas e gostaria de agradecer a atenção e a  recepção de todos que leem esse blog e me enviam pensamentos positivos e são tão solícitos sempre! Vocês são demais! Com certeza espero retribuir um dia e poder ajudar aos que chegarão depois de mim! 

E amanhã é dia de resolver mais coisas! Tomara que este sol lindo que está fazendo hoje não vá embora tão cedo!

Bisous!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sobre onde vou me hospedar


Lá vai mais um post utilidade pública/vida privada.

Acho que todo mundo que lê esse bloguito de vez em quando já sabe que sou solteira, sem filhos, sem cachorro, sem gato, sem nada. Chegar sozinha facilita em alguns aspectos e complica em outros. Sabendo o que eu queria e quanto estava disposta a pagar tracei um plano A,B e C e não encanei muito pois sabia que na rua eu não ia ficar. Minha primeira alternativa era alugar um quarto mobiliado na casa de alguém. Ia sair bem mais barato que qualquer outra opção com a vantagem de já estar tudo arrumado quando eu chegasse e ainda poder conhecer gente nova já de cara. Um studio me custaria o dobro do preço e eu ficaria sozinha, isolada. Alugar um apê daqui do Brasil estava fora de cogitação. Ficar em hotel também. Não vou gastar minha grana com isso. Havia a opção de ficar numa homestay, mas não tava nem um pouco afim. Então bora procurar um coloc! Quando fui pra Montréal em 2010 aluguei um quarto no apê de uma quebeca pelo craigslist e foi super tranquilo (tirando o fato dela nunca lavar a louça) e resolvi embarcar nessa de novo.


Meu plano era: ficar até 30 de junho  num quarto mobiliado em um apê no centro ou perto de metro, numa casa com no máximo três pessoas (muita gente = muita zona = no, thanks!), com colocs simpáticos, na minha faixa etária, com os quais houvesse chances de socializar e possibilidade de estender minha estadia, caso a experiência desse certo. E lógico, eu teria que ter acesso à toda casa e não só ao quarto!

Ah, e por que 30 de junho? Bem, quero ter tempo de procurar um apê pra mim com calma, sem correria, sem ter que ficar com o primeiro que aparecer. E também porque quem sabe até lá eu já não consegui um emprego (acho difícil mas nunca se sabe) e aí eu já saberei quanto poderei gastar com aluguel pra não ficar mega enforcada e quem sabe até alugar um apê próximo ao trampo? OK ok, isso tudo é viagem, mas a mente é minha e ela viaja pra onde eu quiser, rá!

Voltando à moradia temporária.
Comecei a procurar no craigslits, kijiji, perguntei pros amigos, vasculhei as comunidades do facebook e me cadastrei no easyroommate. E foi por lá que achei minha coloc. Pra falar a verdade foi bem fácil. Há muitas opções disponíveis e os filtros ajudam bastante na pesquisa. No fim das contas havia quatro apês diferentes pra eu escolher e acabei optando por ficar na casa de uma jornalista québécoise de 29 anos que ama viajar - assim como eu, e mora em Verdun. Ela até agora foi muito simpática. Espero que daqui um mês eu possa repetir essa frase.

Bisous!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sobre minha conta canadense no HSBC


Resolvi fazer este post pois muitos imigrantes optam por abrir conta no HSBC e achei legal dar minha
contribuição, afinal eu pesquisei sobre este assunto em tantos blogs e agora é hora de retribuir.

Estava muito preocupada com a abertura da conta canadense. Li muitos relatos de pessoas que tiveram vários problemas e demoraram até três meses para conseguir abrir a tal conta. Abri minha conta lá em novembro de 2011. Durante este período nunca tive problemas, mas também não sou uma pessoa que usa muitos serviços bancários. Em janeiro de 2013 fui ao banco para abrir a conta canadense e meu gerente entrou em contato com o IBC (setor responsável pela abertura das contas internacionais) e o IBC me informou que para abrir a conta eu precisaria enviar cópia do meu passaporte e do meu visto. Só que meu passaporte tava no consulado - e lá permaneceu por dois meses, então tive que esperar meu visto chegar para poder abrir a conta. Meu passaporte com o visto chegou dia 07 de março e dia 08 eu fui no banco. Já ciente dos problemas que estavam ocorrendo com outros correntistas, eu liguei para o IBC para tirar toda e qualquer dúvida sobre o preenchimento do formulário (não adianta perguntar para o gerente, pois quem sabe mesmo como deve ser feito é o IBC) e os documentos a serem enviados. 
Quando cheguei no banco eu fiz meu gerente vistar, assinar e datar todas as folhas que deveriam ser enviadas ao IBC. E depois eu conferi tudo pra ter certeza de que não faltava nada. Como minha agência é no interior o malote com meus documentos só chegou no IBC dia 12, terça. Na segunda feira seguinte, dia 18, minha conta estava aberta. Meu Welcome Kit foi enviado para a casa de uma amiga em Montréal e chegou lá dia 25, uma semana depois da conta aberta. Ou seja, em 18 dias todo o processo foi concluído. Com o número do cartão de débito (que chega no Welcome Kit) você consegue ligar no HSBC e cadastrar um telepin e com isso já dá pra acessar o internet banking e fazer transferências. Fiz uma e o dinheiro caiu na conta canadense em poucas horas. O câmbio cobrado foi de 2,077, maior que a cotação oficial de 1,99, mas menor que nas casas de câmbio (cotei em duas e obtive 2,13 em uma e 2,18 na outra). Também consegui ver que emitiram um cartão de crédito canadense com um limite em dólar equivalente ao que tenho no Brasil em reais.

Depois disso tudo só posso dizer: ponto pro HSBC.
Não sou fã de banco nenhum, aliás, detesto bancos em geral, mas apesar do medo de que não desse tempo, tudo correu bem e rápido. Minha sugestão: não deixe nada na mão dos outros. Há gerentes e gerentes. E muitos deles não sabem mesmo qual o processo para abertura de conta internacional. Na dúvida, ligue no IBC, converse com seu contato lá, se oriente. Se for o caso pergunte ao IBC como seu gerente deve proceder e cobre isso dele depois.

Bisous!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Daqui duas semanas...

uma hora dessas eu estarei no avião rumo à ma nouvelle vie.
Frio na barriga, ansiedade, insônia, ranger de dentes e uma lista interminável de coisas a providenciar. Quando eu risco um item, surgem mais três.
Mas beleza, tudo isso tá dentro do esperado.

Semana passada rolou a primeira despedida. Visitei minhas queridas amigas de faculdade e lógico que no final eu não consegui me segurar e chorei. Nós não nos vemos sempre pois eu moro em outra cidade mas mesmo depois de 10 anos de amizade à uma breve, mas existente, distância, continuamos tão amigas quanto antes, firmes e fortes. Isso só me faz ter ainda mais certeza de que não importa a distância: quando as pessoas querem participar da vida uma das outras, elas sempre dão um jeito, é só querer.

Agora tenho certeza que o tempo vai voar. Essa semana eu nem vi passar. Amanhã vou pra praia, passar o feriado lá. Faz séculos que não vou à praia. Despedida!
Amanhã também será meu último dia de trabalho. Ainda não consigo assimilar muito bem isso, pois é difícil acreditar que possa ser verdade. Eu nasci e cresci no meio deste trabalho. Nunca fiz outra coisa na vida - tirando um estágio de 6 meses na época de facu. É estranho. Por mais que eu esteja indo embora de vez, pra ficar, eu sempre fico pensando que nunca vou me desligar do meu trabalho aqui. Minha empresa, a empresa da minha família... foi sempre tanto esforço, tanta dedicação, tanto sacrifício e eu não consigo deixar de imaginar que um dia, quando eu voltar de férias, vou acabar voltando pro trabalho, nem que seja por um dia. Não sei porque não consigo me desligar 100%, talvez seja por tudo o que já passei durante esses anos todos. Veremos!

E que venham os próximos dias. E que a lista comece a diminuir, pelo amor...

Bisous!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Osheaga vem aí!

Amanhã começam a ser vendidos os ingressos pro Osheaga.
Quero muito ir, ouço falar neste festival desde que comecei a pesquisar sobre o Québec. Não sei se vou conseguir porque ainda não estou lá, mas a esperança é a última que morre. Não sei se terei dinheiro nem energia para aguentar os 3 dias de festival, mas se der para pelo menos ver Mumford & Sons já tá bom demais! Se bem que eu também quero muito ver The Cure, Phoenix, Lou Doillon, entre outros.



To vendo que o verão em Montréal será uma perdição!
Vem ni mim!

Bisous!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Enfin, c'est arrivé!

Oi pessoas,

Que coisa estranha. Desde que eu tenho esse blog penso no que escreveria quando meu visto chegasse, todo lindo, todo meu. Chegou enfim o dia de escrever este post. E nem sei o que escrever. 
Ontem à tarde a campainha toca. Eu dou um pulo. De susto e de felicidade. Eu já sabia que era ele, meu visto tão esperado. Vou correndo abrir a porta. Olho nas mãos do carteiro, o envelope pardo estava lá. Sorri. Assinei tudo correndo, abri tudo correndo e quase chorei. Missão cumprida. 

Foram exatos 2 anos e 10 dias de processo. Se eu contar desde o tempo que decidi sair do Brasil de vez, aí  já são mais de três anos. Não me lembro bem quando resolvi ir pro Canada, mas foi um dia à noite, estava pesquisando cidades na internet quando resolvi dar uma chance pro país da Alanis Morissette (era mega fã dela na minha adolescência). Eu primeiro pesquisei Toronto e depois Montréal. Aí pronto, tava decidido. Tinha gostado de Montréal, achado a minha cara. Gostei mais ainda porque lá falava francês, e eu, idiota masoquista tinha cismado em me mudar pra um lugar onde não se falasse inglês (só pra tudo ficar ainda mais difícil). Aí fui pesquisando mais sobre a cidade e descobri o tal "Você tem um lugar no Québec!". Pronto, fechou! Era isso mesmo que eu queria. 

Resolvi passar um tempo lá pra ter certeza e aproveitar para aprender francês, caso contrário eu ia levar o triplo do tempo pra aprender a língua de Molière em terras brasilis. Voltei, apliquei pro processo, esperei, esperei, esperei, esperei mais um pouco, choraminguei pelos cantos e pelos blogs, e agora finalmente acabou. Tenho um visto de imigrante do Canadá, com todo orgulho.

A novela da imigração acabou. Com final feliz!
Em um mês chego no meu país adotivo. O que será dessa nova novela que se iniciará dia 11 de abril de 2013 ninguém sabe. Quando tempo ela vai durar? Também não sei. Só espero que dure o tempo que durar, que seja um tempo feliz.



Bisous

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

2 anos e Decision Made

Hoje faz exatos 2 anos que meu processo de imigração começou. Passados 24 meses eu ainda não estou no Canadá, mas to quase lá. Na época eu pensava que no máximo até setembro de 2012 eu estaria curtindo a vida adoidado estudando francês e procurando emprego em Montréal.
Mas já me resignei e aceitei a espera, sem não antes muitas doses de revolta ao longo do caminho. 

Agora ando muito feliz. Estou muito contente mesmo com todas as mudanças que acontecerão em minha vida. Nova cidade, novo país, novas línguas, novos amigos, novos sabores, novos cheiros, novas cores, novos desafios, novas oportunidades. 
Passo o dia todo a sonhar acordada com tudo o que está para acontecer. E isso me enche de alegria.
Ando super otimista e acredito que encontrarei coisas muito boas em meu caminho. 



Falta pouco.

Bisous!

Editado: Escrevi este post dia 22 pq sabia que os próximos dias seriam corridos, eu não teria tempo de postar dia 25 e fazia questão de fazer um post de 2 anos. Ontem à noite, quando cheguei em casa, consultei meu ecas e voila: Decision Made.
Só espero que a decisão tomada tenha sido aquela que estou aguardando há 2 anos!
Falta muito pouco.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Medical results have been received

Ça y est!
Meu e-cas voltou ontem e com status atualizado. Levou 35 dias desde que meus exames chegaram em Ottawa. Só espero que agora não leve mais 2 meses pro visto sair, porque eu tenho somente mais 49 dias pra esperar.



Allez-y consulat, allez-y!

Bisous!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cadê meu visto?

O tempo está passando, e rápido, e eu estou começando a ficar preocupada. Cadê meu visto? Aliás, cadê os vistos da galera que recebeu o combo em dezembro? Parece que o consulado resolveu deixar todo mundo de castigo e decidiu ficar com nossos passaportes ad eternum.
Eu entendo que meu visto vai atrasar mesmo por causa dos meus exames que só chegaram em Ottawa dia 15 de janeiro, mas tem gente que tá um mês na minha frente e ainda não recebeu o visto. Isso tá me deixando nervosa, ansiosa, stressada. Já comprei minha passagem pra dia 10 de abril e se o visto do povo que tá na minha frente não saiu ainda, imagina o meu...

Aliás, sobre a passagem, eu não sabia o que fazer. Se esperava o visto sair ou se arriscava uma data e pagava alteração se desse uma super zica. Como eu quero ir o quanto antes e os voos de abril já estavam sumindo do mapa (porque resolvi ir de milhas, aí já viu né... demorou muito, ficou sem) resolvi arriscar. Mas agora tá me dando frio na barriga. Acho que nem tanto pelo voo e sim pela demora infinita. O que é que tá acontecendo nesse consulado gente? Já começo a criar caraminholas achando que algo ainda pode dar errado.

Hoje eu fui checar meu e-cas e simplesmente não consegui. Acusa que eu não tenho registro algum no e-cas. Tentei três vezes e nada. Algumas pessoas dizem que o e-cas pode sumir antes dos vistos serem emitidos. Não sei se é esse o caso e também não sei o que querem dizer com "sumir". Só sei que enquanto eu não vir esses vistos saindo eu não vou sossegar.

Bisous!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Teoria das Janelas Partidas

Uma amiga compartilhou este texto e resolvi compartilhar também pois acredito que ele muito se aplica à realidade mundial. E neste momento da minha vida é impossível lê-lo sem traçar paralelos entre o Brasil e meu país adotivo. 


"Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.

Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito.
Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.
Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?
Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o "vale tudo". Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.
Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estacões, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'.
A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja
em nosso bairro, na vila ou condominio onde vivemos, não só em cidades grandes.
A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.
Pense nisso!"
Autor desconhecido

Bom carnaval pra vocês galera (no meu caso, trabalho, tv, chuva, comidinhas calóricas e conversas gostosas com pessoas queridas).

Bisous!